Escrever, hoje, é uma necessidade para muitos profissionais e para os estudantes que se vêem às portas da universidade. Num mundo cercado de informações, a capacidade de organizar as idéias por escrito é cada vez mais uma exigência do mercado de trabalho. Além disso, é um indicador do grau de amadurecimento intelectual daquele que pretende ingressar no ensino superior. Por isso, a competência para fazer uma redação é cobrada tanto dos vestibulandos como daqueles que concorrem às melhores colocações no mercado de trabalho.
Apesar do consenso a respeito da importância de saber escrever, a tarefa de orientar o iniciante no caminho do aprimoramento de seu texto é um desafio. O risco de se deixar levar pela subjetividade talvez seja o maior deles. Como toda criação é sempre original, não a reprodução de um modelo, é natural que sejam numerosas as respostas possíveis a um mesmo tema, mas isso não significa que não haja limites de adequação. E procurar estabelecê-los não é ser subjetivo nem parcial. É nessa seara que se concentram as avaliações das bancas examinadoras de vestibulares e concursos.
Graças à experiência com a prática de Redação em salas de aula de Ensino Médio e de pré-vestibulares, tenho percebido que é muito comum estudantes abordarem um mesmo tema de modo semelhante, o que constitui um reflexo da maneira como apreendem o mundo em que estão inseridos – muitas vezes, cedendo à opinião mais corriqueira, mais fácil, mais imediata. A par disso, deve-se reconhecer que é importante respeitar o ponto de vista de cada indivíduo, mas o aluno precisa considerar uma opinião como o resultado de um processo, de um raciocínio fundamentado em conhecimento e em associações lógicas.
Para escrever bem, portanto, é preciso ler, adquirir informação e, sobretudo, aprender a pensar. Seria ingenuidade acreditar na existência de um conjunto de técnicas que, milagrosamente, levariam alguém a redigir bem. Na verdade, a prática constante a que todos nós devemos submeter é a da leitura crítica do mundo, esse o verdadeiro caminho para o exercício da cidadania.
Autor: PROFESSOR RAMÓN, bacharel em Direito pela UNEB, atua em pré-vestibulares há sete anos e dá aulas de redação no Sagres