O mercado dos concursos tem crescido a cada ano. Cada vez mais pessoas se interessam em se tornar servidores, atraídos pelos salários e a estabilidade única do serviço público. De acordo com dados da Associação Nacional de Apoio e Proteção ao Concurso Público (Anpac), em 2005, foram cinco milhões de inscritos em seleções por todo o país. Com a concorrência aumentando, o nível de exigência das provas também cresce, tornando o bom preparo um requisito essencial para a conquista do tão sonhado cargo.
Pontos em comum para um bom preparação, de acordo com diversos coordenadores de cursos preparatórios, são a disciplina, o tempo e a qualidade do estudo. Antes de começar o preparo, o candidato deve traçar um plano e segui-lo até alcançar seus objetivos. O professor Fábio Gonçalves, diretor da Academia do Concurso Público dá uma dica: "sugiro que a pessoa monte um quadro de horários, defina o tempo de estudo de cada dia e a matéria do dia. Definido o horário de estudo, nos demais horários a pessoa poderá marcar seus compromissos pessoais e viver a vida normalmente, só que com o objetivo de conquistar um emprego estável".
Segundo o professor Alexander Ruas, diretor do Curso Multiplus, muitos interessados em participar de uma seleção reclamam que não têm como criar uma rotina de estudos e cumpri-la por falta de tempo, pois têm filhos e trabalhos extenuantes. "Tempo é apenas uma questão de prioridade. Por exemplo, o horário de almoço pode ser reduzido para meia hora e o restante do tempo aproveitado para os estudos. Oito horas de sono podem, em muitos casos, se transformarem em sete ou até em seis, por um período determinado, já que é possível adaptar-se às necessidades, sem maiores prejuízos, quando há motivação e vontade", declara.
O outro ponto destacado, a qualidade de estudo, não necessariamente tem a ver com o tempo dedicado e a disciplina em seguir um plano, pois mesmo que o candidato estude quatro horas por dia, durante toda a semana, se não tiver um bom material e o acompanhamento adequado, não conseguirá se classificar em um concurso. Para desenvolver o aprendizado da maneira correta, o professor Sylvio Motta, que é presidente da Anpac e coordenador da Companhia dos Módulos, afirma que é preciso aumentar os níveis de concentração e memória no estudo. "Percebemos que há uma grande dificuldade para os candidatos desenvolverem esses itens tão importantes no estudo. O que, aliás, é uma característica do homem ocidental. Dessa forma recomendamos práticas como yoga, meditação e outras, que tragam um equilíbrio e a capacidade de melhorar o aprendizado".
Para a professora Marceli Lopes, coordenadora da Degrau Cultural, muitos candidatos não conseguem ter um bom preparo por causa da dificuldade na leitura e interpretação de textos, um problema que existe não pela dificuldade dos temas, e sim pela falta de hábito de leitura. "Muitas vezes os candidatos até sabem os conteúdos que são exigidos, mas tem uma certa dificuldade em decodificar os enunciados das questões na hora da prova. As perguntas exigem o raciocício desde o enunciado até a resolução do problema. A dificuldade de compreendê-las está ligada a falta de leitura", afirma.